Tratamento Endovascular da Síndrome de Congestão Venosa Pélvica em Paciente Portadora de Varizes de Membros Inferiores

Introdução

A prevalência de varizes dos membros inferiores varia entre 10 e 40% na população adulta. Em 10% destes casos, a veia safena e veias perfurante não estão envolvidas diretamente na causa das varizes, estando associado ao refluxo de varizes pélvicas. Às varizes pélvicas é a principal das etiologias ditas não usuais, de varizes acometendo os membros inferiores e muitas vezes a paciente não apresenta sintomas localizados na pelve.
As varizes pélvicas são causas comuns de dor pélvica crônica e freqüentemente estão implicadas na recorrência de varizes de membros inferiores após uma cirurgia tecnicamente bem sucedida. Isto resulta de uma fuga de fluxo sanguíneo das veias pélvicas congestas em direção aos membros inferiores, promovendo o reaparecimento de varizes. Atualmente os casos atípicos de varizes de membros inferiores devem ter sua investigação diagnóstica ampliada na busca de congestão pélvica associada. Isto é possível através de meios não invasivos como a ultrassonografia com Doppler colorido, angiotomografia e a angiorressonância. Nos casos onde se confirma a ocorrência de varizes pélvicas é possível realizar o tratamento endovascular. Os substratos anatômicos resposáveis pela congestão pélvica são basicamente a incompetência valvar das veias ovarianas ou ilíacas, o pinçamento da veia renal esquerda (síndrome de quebra nozes) e a compressão extrínseca da veia ilíaca esquerda (síndrome de May-Thurner), podendo ocorrerem isoladamente ou de maneira associada. A síndrome de congestão pélvica é uma doença ainda pouco investigada pelos cirurgiões vasculares como causa de varizes secundárias e recorrentes de membros inferiores.

Objetivo

Descrever o tratamento endovascular de síndrome de congestão venosa pélvica em paciente portadora de varizes de membros inferiores.

Relato do Caso

Paciente de 32 anos, feminino, nulípara, procurou consultório com queixa de fadiga nos membros inferiores e varizes vulvares que desciam até a face posterior da coxa direita. Realizado ultrassonografia com Doppler colorido de membros inferiores que mostrou normalidade das veias safenas e do sistema venoso profundo e identificou que as varizes da coxa direita corriam em direção a região genital. Solicitado ultrassonografia endovaginal com Doppler colorido que mostrou varizes pélvicas, sendo de maior calibre junto aos anexos à direita, com diâmetro máximo de 8 mm. A paciente foi submetida a flebografia que mostrou refluxo da veia ovariana direita com progressão do meio de contraste até a vulva. Realizado embolização da veia ovariana direita distalmente com polidocanol 3% para oclusão das colateriais pélvicas e com molas e histoacryl ao longo do seu tronco principal. A flebografia de controle mostrou oclusão completa da veia ovariana direita. Após 30 dias a paciente foi submetida à cirurgia convencional de varizes de membros inferiores através de mine-incisões da pele. Não houve intercorrências relacionadas ao procedimento endovascular e cirúrgico. No seguimento de 10 meses a paciente encontra-se assintomática e sem novas varizes, apresentando telangectasias residuais.

Conclusão

A embolização das varizes pélvicas previamente a cirurgia de varizes de membros inferiores  é seguro, eficaz, de baixa morbidade e que trata diretamente a causa das varizes, prevenindo a recidiva precoce de varicosidades nos membros inferiores.